Os boxeadores de São Caetano do Sul mantiveram nesta segunda-feira sua hegemonia nos Jogos Abertos do Interior, que em sua 73ª edição é disputado nas praças esportivas sancaetanenses. A cidade se sagrou campeã tanto na modalidade masculina quanto na feminina do boxe 1ª divisão, disputado no ginásio da Sociedade Esportiva Recreativa e Cultural (SERC) Santa Maria, que recebeu um grande público durante todos os 34 combates finais realizados nesta segunda-feira (12/10).
“O nível do boxe nos Jogos Abertos foi o melhor possível. Entre os lutadores aqui presentes, temos vários atletas olímpicos e também boxeadores que disputaram mundiais”, ressaltou Servílio de Oliveira, coordenador da equipe de boxe de São Caetano e ex-medalhista olímpico. A avaliação foi confirmada em cima do ringue, com belos combates que mostraram toda a técnica e determinação dos atletas deste esporte que ainda sofre muito preconceito.
“O boxe é muito discriminado. O lutador muitas vezes não é respeitado como atleta”, destacou Glauce Alves, de São Caetano, campeã dos Abertos na categoria para atletas de até 64 kg e que sofre ainda mais preconceito, por ser uma mulher boxeadora. Mas tanta dedicação das meninas à ‘nobre arte’ rendeu frutos para São Caetano: as sancaetanenses participaram de seis finais nos Jogos Abertos e venceram cinco, com Loren Capecce (até 54 kg); Núbia de Andrade Oliveira (até 57 kg); Glauce Alves (até 64 kg); Dileã Nunes (até 81 kg); e Maristela de Jesus Souza (acima de 81 kg). Daniela de Souza (até 48 kg) conquistou uma medalha de prata.
Vencedora da primeira das muitas medalhas de ouro no boxe colecionadas por São Caetano nesta segunda, Loren Capecce (categoria até 54 kg), falou sobre a dedicação aos treinos diários. “Eu luto há 6 anos. O boxe exige muita dedicação e superação dos atletas, especialmente das mulheres. Muitos especialistas no esporte dizem que o boxe feminino é mais técnico que o masculino porque treinamos em dobro.”
Tanto empenho faz com que a jovem atleta de 20 anos sonhe com voos mais altos na carreira. “Minha meta é disputar as olimpíadas. Vou me preparar para a seletiva de 2011, no México, e, se não der para conseguir uma vaga nos Jogos de Londres em 2012, vou brigar ainda mais para estar no Rio de Janeiro em 2016.”
Classificação – Na categoria masculina, São Caetano participou de nove finais. Destas, venceu nada menos que seis, com Paulo Carvalho (48 kg); Julião de Miranda Neto (51 kg); Davi Silva de Souza (57 kg); Everton Lopes (60 kg); Yamaguchi Falcão (75 kg); e Gleison de Abreu (acima de 91 kg), que nocauteou Waldir dos Santos, de São José do Rio Preto. James Dean Pereira (54 kg); Jaime Sacramento (64 kg) e Esquiva Falcão (69 kg) ficaram com a prata.
A classificação final do boxe masculino da 1ª divisão ficou assim: São Caetano (1º); São José dos Campos (2º); Santos (3º); São José do Rio Preto (4º); Santo André (5º); Piracicaba (6º); Americana (7º); e Suzano (8º). No feminino, São Caetano ficou em primeiro lugar, seguido por São José do Rio Preto (2º), Piracicaba (3º), São José dos Campos (4º), Santos (5º), Americana (6º) e Santo André (7º).
Na 2ª divisão, o título masculino foi para Praia Grande, seguido por São Vicente (2º); Santana do Parnaíba (3º); Mogi das Cruzes (4º); Sorocaba (5º); Araraquara (6º); Campinas (7º); e Itu (8º). No feminino, Mogi das Cruzes levou a melhor, com São Vicente em segundo e Catanduva, Pindamonhangaba e Poá empatados em terceiro, Jaú em sexto e Tupã em sétimo.
Para Servílio de Oliveira, este novo título conquistado pelo boxe de São Caetano é fruto do investimento e trabalho sério de todos os envolvidos com a modalidade. “O apoio que a Prefeitura de São Caetano dá ao boxe tem de ser aplaudido. E podem ter certeza que, enquanto este auxílio existir, os títulos vão continuar chegando.”
Amizade – Talvez por conta da visão negativa que algumas pessoas têm do boxe, o que se viu no ginásio do Santa Maria nesta segunda-feira foi muita rivalidade entre os atletas sobre o ringue, mas muita união e paz entre os boxeadores de todas as delegações quando as lutas acabavam. “Quando a gente está lá em cima do ringue, aquela que estiver mais preparada vence. Mas, aqui embaixo, o que acontece é uma amizade verdadeira”, ressaltou Glauce, que após vencer Sara Varela na final dos Abertos, deu um longo abraço na adversária.
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